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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Da SilenciosaMente


Silêncio, companhia de quem procura

Na ausência da amada criatura

O momento em que o coração mais reclama.

Já dizia a plagia do provérbio:

Mente vazia, oficina de quem ama.

Só digo isto, porque moro em um refúgio,

Onde não há um só rugido,

Onde sou vizinho da saudade,

E o silêncio o meu melhor amigo.

Se morasse em outra cidade,

Viveria um amor errado

Desses que se vê todo dia,

Em que a rotina é uma abusada companhia.

Que Deus perdoe meus pecados...

Mas se for pra viver assim

Prefiro viver só a "muito bem" acompanhado.

Que isto não seja uma praga, apenas um provérbio

Proferido nesta muda poesia

Onde versos não têm vozes

E as estrofes são vazias.

Onde muitas vezes se diz melhor calando

Do que falando em demasia...

(Víctor Sousza)

domingo, 24 de outubro de 2010

Do nome Ana Mara


Rasga esses versos que eu te fiz!
Deita-os ao nada, ao pó ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada dum momento.
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!... (Florbela Espanca)
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Devagar...
Preciso pensar no que dizer,
E elencar tuas qualidades raras:
Ser bela, palhaça, inteligente e portátil.
E escondê-las em versos
Onde incólume se faça teu ser pulsátil.
Às vezes difícil, etcétera e chata,
Mas não quero aqui expor reclamações alegres,
Nem comprar briga cara.
Quero apenas criar um pequeno poema,
Que tenha por título: Ana Mara.
Sei que com ele não lhe trago estética
E nenhuma bela poética.
O que lhe ofereço é apreço,
Que se esvaem em versos brancos, baratos, brocardos.
Mas sinceros...
De carinho repleto.
E por ser pequeno
Não mais me estendo.
Já tenho sono que consome
Por entre uma noite que esconde o lume.
Peço apenas desculpas por tão pobre poema,
Levar teu tão exuberante nome.
(Víctor Sousza)

sábado, 16 de outubro de 2010

Da alma


Em uma terra em que tudo se forja,
Em que se dá nó em fumaça.
Onde só é gente quem tem força.
Desabafo não por graça.
Escrevo não por tédio,
Mas, por raiva.
Pois repulsa-me os trocados que trago comigo
Ao ver olhos implorarem por vida
E a morte edificar seu trono.
Ontem percebi uma criança a chorar por fome.
De tão magra vi também a alma.
Comovi-me àquele abandono.
Meus sentidos corroeram àquele desespero,
Minhas atitudes paralisaram em pena. (Víctor Sousza)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Da Rotina ao Fim do Meio Dia




Ciclometria vital.
Acordar às 06:00h,
Sentir as batidas do meu coração demente,
E dar bom dia, bom dia.
Um banho frio, um café quente.
Ao som de histéricas músicas
Sem qualquer companhia.
Saindo às 07:00h,
Dando a mão pra Dona Maria, para Seu Zuza,
Encontrando tantas outras laborosas criaturas.
O trabalho informal, os “ice Kiss”, os malabares,
Os vendedores de jornais, que nada trazem de novidade:
- morte, tráfico, corrupção e uma gostosa seminua!
A miséria cega às 07:30h,
Um ônibus lotado,
Vade Mecum pesado.
A camisa já suada,
O “311” sempre enfurecido em meio às curvas.
Chego às 08:00h já atrasado,
─ Bom dia.
─ Com licença professor(a).
No peito agasalha-se o descanso,
Na cabeça começa o trabalho.
Intervalo às 10:00h.
Dialética entre amigos,
Comida requentada,
Reclamações frustradas,
“Returning to class”!
No peito restringe-me a vontade.
Na cabeça convida-me o silêncio.
Saio às 11:00h.
“311”, miséria cega, suor, cansaço, fome...
Flechas de sol descem perpendicularmente
Sem trégua alguma.
São 12:00h.
Espero por um banho gelado,
Por uma bebida fria.
Almoço (que seja requentado, só exijo uma companhia).
É tudo somado,
É meu bolero.
É minha vida em meio dia.
(Víctor Sousza)

domingo, 25 de julho de 2010

Fuga em Sol Maior


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada. (Fernando Pessoa)
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Tocatta
Foge Beatriz !
No teu encalço, sem piedade, estão todos do Reino,
Malabaristas, tropeiros, bruxas e vendilhões . . .
Tua cabeça está a prêmio, teu coração não importa,
Tua graça, teus arabescos no ar, teu movimento/
Caíram em desgraça/
Agora és a caça.
Foge !
Outro tempo de Venturas criaste nos caminhos de muitos/
Foste Musa/ Foste Estrela/
E em tua luz/ tantos tristes se aninharam/
E teu canto inflou tantas almas secas/
Tua palavra acendeu chamas apagadas/
Teus contos fizeram a festa/
Deste um banquete de dez mil talheres/
Onde o prato principal eras tu !
Foste devorada e bebida e ainda saístes viva/incólume/
E ainda assim . . . mais bela, mais artista, mais feliz !
Como poderiam suportar ?
Foge Beatriz !
Antes que peçam bis/ que o Arcanjo passe o chapéu !
Escapa pelas vias estreitas das almas penadas/
Pega o trem do nunca mais/
L’ avion de nulle part !
No Reino para trás/
Teus vampiros abominarão tua fuga em Sol Maior !
Porque partiste para a Luz/
Irás brilhar e ser feliz em outras esferas/
Enquanto eles . . . amargurados/
Arrastarão para sempre suas correntes pesadas/
Suas malas cheias de tralhas inúteis/
Que ousada e imprevidente/
Mandaste abandonar/ se quisessem seguir-te !
Não souberam Beatriz/ Não ousaram/
Alguma coisa desejavam guardar/
E perderam teu rumo . . .
Agora, novamente livre e feliz/
Acenas sem reservas/
Para os corações de eras ultrapassadas/
E eles estão frios e apertados/
Cansados e descrentes . . .
Como podes tocar tua flauta ?
Pára de agitar os teus guisos !
Inclementes e insatisfeitos/
Os antigos convivas do banquete festivo/
Querem mais ! E não podem aceitar/
Que a tanta fartura não tenham direito sequer/
A uma côdea do pão sublimado.
Foge em Tocata/ pianíssimo . . .
Diz adeus/ parte para outras jornadas/
Onde te aguardam famintos menos amargos/
Que desconhecem inocentes/
Tua história tão linda/tão louca/tão proibida !
O dia amanhece . . . Be actress !
Pega carona nas asas salvadoras da tua música/
Embarca na estação do nunca mais . . .
Sem deixar sinais/endereços nem lembranças/
Foge Menina sem tempo/ viajante sem peso/
Imponderável criatura do infinito/
Antes que alcancem as redes/
As armas/as amarras/ as pedras duras/
Dos corações pecadores e perdidos . . .
Pronto ! Acabou ! Diz Adeus/
Dizer Adeus é Viver !
Vai ser feliz longe de tudo . . .
De todos os olhares do passado/
Que miram espelhos retrovisores/
E não aceitam que tenha se passado a estação/
Que tenha partido o trem . . .
Para trás . . . para trás . . .

(texto de Valéria Montenegro)


terça-feira, 8 de junho de 2010

Os direitos fundamentais e sua concretização


Os direitos fundamentais, albergados no artigo 5º e incisos da nossa Carta Política, constituem-se normas pétreas que não podem ser subtraídas e muito menos alteradas por emendas constitucionais. Destarte, não façamos deste entendimento a sua funcionalidade, visto que, nos dias de hoje, os órgãos da administração pública estão longe de atender às suas finalidades, em especial o Sistema Único de Saúde (SUS), ao qual compete prestar assistência médica e gratuita à população. A sociedade está estarrecida com os governantes e a forma pela qual seus secretários e ministros, dependendo da esfera governamental, coordenam a máquina estatal. De outro norte, não podemos somente recriminar os órgãos públicos pela incompetência em determinados setores. Temos que cumprir nosso papel como cidadãos integrantes de um Estado de direito, que nos possibilita mostrar que o poder emana do povo e para ele deve se dirigir. O Mestre Rousseau, em sua brilhante obra Do Contrato Social, ensina a magnitude desse sistema, em que os cidadãos deixam de ser meros súditos para participar da constituição da base administrativa do Estado. Atualmente, com a corrupção evidenciada e os escândalos aflorados, devemos, mais do que nunca, exigir o cumprimento das cláusulas pétreas, distanciando-nos da falácia de sua imutabilidade. Porém, não somente em relação aos pobres e miseráveis, como se entende comumente, ou melhor, como a mídia, que é verdadeiro instrumento de alienação, vende para seus milhares de telespectadores, mas relativamente a todo e qualquer cidadão. É preciso acabar com a demagogia de criar leis inúteis, sem eficácia concreta (Estatuto do Idoso, por exemplo), achando que o problema está na falta de leis, quando, na verdade, o que falta é atitude. Até porque, muitos do povo acreditam que ser cidadão é votar nos dias de eleição e depois submergir no mar do senso comum. Não sejamos mais súditos, e sim, membros de um Estado que impõe deveres e obrigações para todos. NOTA : Importante salientar que o caráter gratuito é acobertado pelos tributos embutidos em cada mercadoria ou serviço utilizado, sendo que essa é a contrapartida que o Estado deve à população. (DIXON TORRES)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Amar: ironia, sexo, amor e poesia.



Sem privações 
Mergulho entre anseios,
Postergo todos os entendimentos normais.
Encontro minha maior altitude, dentro do sol no alto céu.
Busco sossego,
Busco estúrdias,
Busco bares,
Busco transgressões à Beira-Mar,
Busco a ínfima beleza efêmera de uma noite.
Desvaneço as raparigas que me trouxeram alegria.
Apagando as sombras dos seus passos,
Olvidando os encantos, dos teus cantos sob o amanhecer a luz do dia.
Amar: ironia, sexo, amor e poesia.
Do íntimo destino involuntário.
Das liberdades limitadas,
Dos pícaros sem nada.
De corações atômicos sem explicações.
Boemia, eis me aqui!
Pois, no meu antanho relembro os nódulos cálidos e as marcas,
E hoje o que cobiço ao mundo.
É aproveitar cada minuto.
Como nunca mais...
Amar: radioatividade hereditária nuclear. (Víctor Sousza)