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quinta-feira, 15 de março de 2012

Da tristeza e outras rimas vadias


Que triste seria
A Constituição sem democracia,
A guerra sem diplomacia,
A revolução sem a burguesia,
A Grécia sem mitologia,
A bolsa sem economia,
O Mc Donalds sem franquia,
A taverna sem vadia,
A Feiticeira sem academia,
O funk sem Melancia,
Os torcedores sem euforia,
Os shows sem cortesia,
A sorte sem loteria.
A vida sem Luzia,
O câncer sem cirurgia,
A dor sem anestesia,
As lembranças sem fotografia,
Cazuza sem biografia,
Colombo sem cartografia,
Maomé sem profecia,
Os santos sem romaria,
Soleil sem acrobacia,
Os idosos sem aposentadoria,
O amor sem terapia,
Da luz sem o dia.
Da noite sem boêmia,
Do mundo sem poesia.
(Víctor Sousza)

Do pedido


TEXTO 1- De Bandeira para Teresa!

"Teresa, se algum sujeito
bancar o sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde
Se ele chorar
Se ele se ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredita não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
CAI FORA."
(Manuel Bandeira)
TEXTO 2- De Víctor para Teresa.

"Teresa escuta o que Bandeira lhe diz,
Não te iludas
Por simpatia barata,
Por sorriso maroto,
Ou por qualquer magnata
Escuta!
Todo homem é um pouco malandro,
Todo diabo tem um pouco de santo,
Até os feios possuem encanto.
Portanto, Teresa
Dou-lhe um conselho:
Fica comigo!
De antemão só adianto:
Não tenho dinheiro,
Não choro,
Não ajoelho.
Amo a paisana,
Não sou Montéquio,
Nem você Capuleto.
Para quê um drama?
Não precisamos de bondes-paixão,
De incômodos ao nascer do dia,
Ao cair da lua.
Desiluda da perfeição Teresa.
Fica comigo,
Não sou tapetão
Posso ser um Romeu pós-moderno,
Dá-lhe amor sincero,
Prometer fidelidade.
(Só não garanto que seja eterno)
Aceita!
FICA COMIGO..."
(Víctor Sousza)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Da Ilha de Upaon-Açu



São Luís, como já lhe quero bem,
E não é só pelas tuas belas mulatas,
Pelo teu reggae Jamaica,
Por teu Centro Histórico e exuberantes praças.
Dá-se a isso outro nome: admiração.
Quero-lhe bem com um amor involuntário,
Com amor-gratidão pelos momentos memoráveis
Vividos entre Amores-éteres à Beira-Mar,
Estúrdias em meio à Estrela* (rua),
Espetáculos no centro do Sol**(rua)...
Nenhuma outra cidade tem tantos Astros e casarões tombados.
Nenhuma outra ilha é de Toda a Humanidade*** (patrimônio).
És estupenda quando entardeces,
E linda quando nua rabisca o oceano.
Eis, uma imaginação divina...
(Víctor Sousza)


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Da Mudança


E eu que gostava do não gostar.
Acabei amando, amor!
Alvitrando o teu olhar que a mim pousa terno.
Fazendo do teu esquecimento o meu rubro inferno.
Temo que você morra em mim, amor.
Como morre todo verão após nascer cada inverno.
Sei que foram poucas as noites de intensa ventura.
(Então, como posso gostar-te tanto?)
Mas que isso não seja desculpa para minha torpe cura.
Se elas foram poucas
Sugiro que até a chuva mais intensa pouco dura.
Basta lembrar-se de quando saímos ávidos de vontades,
Sentindo o cheiro de pele, de corpo.
De rastro de consumação depois de tantos copos.
Enquanto nos dopávamos entre Bob Dylan, Aerosmith e tantos outros.
O que me resta agora são lembranças,
Que se exasperam em meio às traças,
Não há nenhum frenesi, tão pouco um beijo.
Apenas esse exaurido amor que a mim lança,
Refazendo-se na inconsciência brutal do meu desejo.
Sem palavra que console, nem silêncio que respeita o pejo.
E eu que não gostava do não gostar.
Sinto a extrema necessidade de dizer:
Que acabei te amando [...] 
(Víctor Sousza)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Da SilenciosaMente


Silêncio, companhia de quem procura

Na ausência da amada criatura

O momento em que o coração mais reclama.

Já dizia a plagia do provérbio:

Mente vazia, oficina de quem ama.

Só digo isto, porque moro em um refúgio,

Onde não há um só rugido,

Onde sou vizinho da saudade,

E o silêncio o meu melhor amigo.

Se morasse em outra cidade,

Viveria um amor errado

Desses que se vê todo dia,

Em que a rotina é uma abusada companhia.

Que Deus perdoe meus pecados...

Mas se for pra viver assim

Prefiro viver só a "muito bem" acompanhado.

Que isto não seja uma praga, apenas um provérbio

Proferido nesta muda poesia

Onde versos não têm vozes

E as estrofes são vazias.

Onde muitas vezes se diz melhor calando

Do que falando em demasia...

(Víctor Sousza)

domingo, 24 de outubro de 2010

Do nome Ana Mara


Rasga esses versos que eu te fiz!
Deita-os ao nada, ao pó ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada dum momento.
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!... (Florbela Espanca)
___________________________________
Devagar...
Preciso pensar no que dizer,
E elencar tuas qualidades raras:
Ser bela, palhaça, inteligente e portátil.
E escondê-las em versos
Onde incólume se faça teu ser pulsátil.
Às vezes difícil, etcétera e chata,
Mas não quero aqui expor reclamações alegres,
Nem comprar briga cara.
Quero apenas criar um pequeno poema,
Que tenha por título: Ana Mara.
Sei que com ele não lhe trago estética
E nenhuma bela poética.
O que lhe ofereço é apreço,
Que se esvaem em versos brancos, baratos, brocardos.
Mas sinceros...
De carinho repleto.
E por ser pequeno
Não mais me estendo.
Já tenho sono que consome
Por entre uma noite que esconde o lume.
Peço apenas desculpas por tão pobre poema,
Levar teu tão exuberante nome.
(Víctor Sousza)

sábado, 16 de outubro de 2010

Da alma


Em uma terra em que tudo se forja,
Em que se dá nó em fumaça.
Onde só é gente quem tem força.
Desabafo não por graça.
Escrevo não por tédio,
Mas, por raiva.
Pois repulsa-me os trocados que trago comigo
Ao ver olhos implorarem por vida
E a morte edificar seu trono.
Ontem percebi uma criança a chorar por fome.
De tão magra vi também a alma.
Comovi-me àquele abandono.
Meus sentidos corroeram àquele desespero,
Minhas atitudes paralisaram em pena. (Víctor Sousza)