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domingo, 4 de novembro de 2012

Da Bênção



Quem dera que fôssemos abençoados por Hera,
E por todas as divindades da exosfera.
Quem dera que todo romance fosse fogo, fosse fera
E nossas vidas uma eterna primavera.

Quem dera que tua mendacidade fosse sincera,
E o nosso amor não fosse quimera.
Quem dera que ainda fôssemos amigos a espera
De um bom sorriso, quem dera (...)

Quem dera que todo aquele encanto
Fosse obra de santo
Pra que nunca, nunca, terminasse em pranto.

Quem dera, entretanto,
Que a saudade não fosse essa cratera
A degenerar a rima do último verso do último canto. (Víctor Sousza)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Da cautela



Que tua presença não seja meu consolo
Tampouco a tua ausência meu descontentamento,
Pois por mais bucéfalo que seja um tolo
Sabe que o Omega do amor é o Alfa do tormento.

E se o que me ceifa é a ânsia por teu colo,
Farei da distância um ligamento,
Do teu beijo sem protocolo
E do Adeus um só momento.

De tudo, no entanto, urge cautela,
Da cólera do calvário à glória da vida,
Por mais que seja sentimento de donzela,

Temas, pois dor de amor é dor dolorida.
E a ferida que arde deixa sequela
Como deixa a chama na vela aquecida".
(Víctor Sousza)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Da tristeza e outras rimas vadias


Que triste seria
A Constituição sem democracia,
A guerra sem diplomacia,
A revolução sem a burguesia,
A Grécia sem mitologia,
A bolsa sem economia,
O Mc Donalds sem franquia,
A taverna sem vadia,
A Feiticeira sem academia,
O funk sem Melancia,
Os torcedores sem euforia,
Os shows sem cortesia,
A sorte sem loteria.
A vida sem Luzia,
O câncer sem cirurgia,
A dor sem anestesia,
As lembranças sem fotografia,
Cazuza sem biografia,
Colombo sem cartografia,
Maomé sem profecia,
Os santos sem romaria,
Soleil sem acrobacia,
Os idosos sem aposentadoria,
O amor sem terapia,
Da luz sem o dia.
Da noite sem boêmia,
Do mundo sem poesia.
(Víctor Sousza)

Do pedido


TEXTO 1- De Bandeira para Teresa!

"Teresa, se algum sujeito
bancar o sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde
Se ele chorar
Se ele se ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredita não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
CAI FORA."
(Manuel Bandeira)
TEXTO 2- De Víctor para Teresa.

"Teresa escuta o que Bandeira lhe diz,
Não te iludas
Por simpatia barata,
Por sorriso maroto,
Ou por qualquer magnata
Escuta!
Todo homem é um pouco malandro,
Todo diabo tem um pouco de santo,
Até os feios possuem encanto.
Portanto, Teresa
Dou-lhe um conselho:
Fica comigo!
De antemão só adianto:
Não tenho dinheiro,
Não choro,
Não ajoelho.
Amo a paisana,
Não sou Montéquio,
Nem você Capuleto.
Para quê um drama?
Não precisamos de bondes-paixão,
De incômodos ao nascer do dia,
Ao cair da lua.
Desiluda da perfeição Teresa.
Fica comigo,
Não sou tapetão
Posso ser um Romeu pós-moderno,
Dá-lhe amor sincero,
Prometer fidelidade.
(Só não garanto que seja eterno)
Aceita!
FICA COMIGO..."
(Víctor Sousza)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Da Ilha de Upaon-Açu



São Luís, como já lhe quero bem,
E não é só pelas tuas belas mulatas,
Pelo teu reggae Jamaica,
Por teu Centro Histórico e exuberantes praças.
Dá-se a isso outro nome: admiração.
Quero-lhe bem com um amor involuntário,
Com amor-gratidão pelos momentos memoráveis
Vividos entre Amores-éteres à Beira-Mar,
Estúrdias em meio à Estrela* (rua),
Espetáculos no centro do Sol**(rua)...
Nenhuma outra cidade tem tantos Astros e casarões tombados.
Nenhuma outra ilha é de Toda a Humanidade*** (patrimônio).
És estupenda quando entardeces,
E linda quando nua rabisca o oceano.
Eis, uma imaginação divina...
(Víctor Sousza)


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Da Mudança


E eu que gostava do não gostar.
Acabei amando, amor!
Alvitrando o teu olhar que a mim pousa terno.
Fazendo do teu esquecimento o meu rubro inferno.
Temo que você morra em mim, amor.
Como morre todo verão após nascer cada inverno.
Sei que foram poucas as noites de intensa ventura.
(Então, como posso gostar-te tanto?)
Mas que isso não seja desculpa para minha torpe cura.
Se elas foram poucas
Sugiro que até a chuva mais intensa pouco dura.
Basta lembrar-se de quando saímos ávidos de vontades,
Sentindo o cheiro de pele, de corpo.
De rastro de consumação depois de tantos copos.
Enquanto nos dopávamos entre Bob Dylan, Aerosmith e tantos outros.
O que me resta agora são lembranças,
Que se exasperam em meio às traças,
Não há nenhum frenesi, tão pouco um beijo.
Apenas esse exaurido amor que a mim lança,
Refazendo-se na inconsciência brutal do meu desejo.
Sem palavra que console, nem silêncio que respeita o pejo.
E eu que não gostava do não gostar.
Sinto a extrema necessidade de dizer:
Que acabei te amando [...] 
(Víctor Sousza)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Da SilenciosaMente


Silêncio, companhia de quem procura

Na ausência da amada criatura

O momento em que o coração mais reclama.

Já dizia a plagia do provérbio:

Mente vazia, oficina de quem ama.

Só digo isto, porque moro em um refúgio,

Onde não há um só rugido,

Onde sou vizinho da saudade,

E o silêncio o meu melhor amigo.

Se morasse em outra cidade,

Viveria um amor errado

Desses que se vê todo dia,

Em que a rotina é uma abusada companhia.

Que Deus perdoe meus pecados...

Mas se for pra viver assim

Prefiro viver só a "muito bem" acompanhado.

Que isto não seja uma praga, apenas um provérbio

Proferido nesta muda poesia

Onde versos não têm vozes

E as estrofes são vazias.

Onde muitas vezes se diz melhor calando

Do que falando em demasia...

(Víctor Sousza)