"Não pense que o mundo acaba ali onde a vista alcança. Quem não ouve a melodia acha maluco quem dança. Hoje eu sei que mudar dói, mas não mudar dói muito." (Oswaldo Montenegro)
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Vem pra rua
Levantai-vos, massas carcomidas,
Adormecidas por profecias de longas datas.
Derrubai os parlapatões em suas ribaltas,
Enobrecei esta nação traída.
Vem pra rua e com gritos de primatas
Pinta a tua cara até então desconhecida,
Desperta a Vera Cruz prostituída
E iça com esplendor as tuas clavas.
Ordena, assim, o progresso do teu lábaro,
Menoscabado em engoda mão servil.
Expurga, canta, urra a miséria deste tártaro,
Ó dissimulada mãe gentil.
Insurge e ressuscita como Lázaro
a pátria a ser amada- Brasil.
(Víctor Rafael Sousza)
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Da Jornada
Amor
que de amiúde
fez-se grande
e de repente
fez-se terno,
fui teu amigo
enquanto pude,
quero te amar
além
eterno.
E se exagerada
for tão longa jornada,
que tão logo,
ao menos,
não cesse
meu amor,
antes dele cesse
minha vida,
pois antes e só
e sendo amante
do que apenas
matéria inacabada,
predisposta
e tão somente
a torna-se
apenas
pó
.
(Víctor Sousza)
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Iconoclasta
Nada de muita teoria me basta,
Inclusive os santos e seus sermões.
Seria eu um iconoclasta
Ou apenas um desafeto de longas opiniões?
Desafeto seria das imagens veneradas
E daqueles que semeiam vastas especulações.
Nunca entendi como uma efígie parada
Pode ser alvo de tantas devoções.
Ponderai, pois, vossos louvores.
Os santos anseiam por tinta de boa qualidade,
Não por vossos favores.
Simplificai, assim, as divindades,
As várias variáveis, os valores.
Ignorai a clemência a esterilidade.
(Víctor Sousza)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Da Alvorada
Hoje a saudade veio cumprimentar-me de mau jeito.
Mal amanhecera o dia
E ainda prostrado ao meu leito,
De bruços a esfolar a fronha macia,
Senti tua ausência
A estraçalhar meu peito.
Saudade talvez por devaneio,
Impulso, libido ou volúpia.
Talvez por defeito
Afeto, flama, fogo ou fulgor.
É saudade de cada veia,
Ventrículo, cada olhar estreito,
Cada sussurro rarefeito...
Uma saudade puta desgraçada,
Que não tem hora marcada,
Mas que sempre em meio à alvorada
Começa a enzambuar meu peito.
(Víctor Sousza) 12/12/2012
domingo, 4 de novembro de 2012
Da Bênção
Quem dera que fôssemos abençoados por Hera,
E por todas as divindades da exosfera.
Quem dera que todo romance fosse fogo, fosse fera
E nossas vidas uma eterna primavera.
Quem dera que tua mendacidade fosse sincera,
E o nosso amor não fosse quimera.
Quem dera que ainda fôssemos amigos a espera
De um bom sorriso, quem dera (...)
Quem dera que todo aquele encanto
Fosse obra de santo
Pra que nunca, nunca, terminasse em pranto.
Quem dera, entretanto,
Que a saudade não fosse essa cratera
A degenerar a rima do último verso do último canto. (Víctor Sousza)
terça-feira, 22 de maio de 2012
Da cautela
Que tua presença não seja meu consolo
Tampouco a tua ausência meu descontentamento,
Pois por mais bucéfalo que seja um tolo
Sabe que o Omega do amor é o Alfa do tormento.
E se o que me ceifa é a ânsia por teu colo,
Farei da distância um ligamento,
Do teu beijo sem protocolo
E do Adeus um só momento.
De tudo, no entanto, urge cautela,
Da cólera do calvário à glória da vida,
Por mais que seja sentimento de donzela,
Temas, pois dor de amor é dor dolorida.
E a ferida que arde deixa sequela
Como deixa a chama na vela aquecida".
(Víctor Sousza)
quinta-feira, 15 de março de 2012
Da tristeza e outras rimas vadias

Que triste seria
A Constituição sem democracia,
A guerra sem diplomacia,
A revolução sem a burguesia,
A Grécia sem mitologia,
A bolsa sem economia,
O Mc Donalds sem franquia,
A taverna sem vadia,
A Feiticeira sem academia,
O funk sem Melancia,
Os torcedores sem euforia,
Os shows sem cortesia,
A sorte sem loteria.
A vida sem Luzia,
O câncer sem cirurgia,
A dor sem anestesia,
As lembranças sem fotografia,
Cazuza sem biografia,
Colombo sem cartografia,
Maomé sem profecia,
Os santos sem romaria,
Soleil sem acrobacia,
Os idosos sem aposentadoria,
O amor sem terapia,
Da luz sem o dia.
Da noite sem boêmia,
Do mundo sem poesia.
(Víctor Sousza)
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