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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

INFORMAÇÕES COTIDIANAS


Fome dominical
Se a fome, 
esta impoluta inconveniente, 
soubesse a metade da preguiça
que tenho em saciá-la, certamente 
não faria esfomeado este inocente.
Mas se dormir resolver o problema,
o farei novamente, 
lá a fome deve ser coisa da imaginação.
(Víctor Sousza) 20/10/2013

Monografia
Monografando.
Sugando toda citação simplória,
Apelando ao Idem, Ibdem, Op. cit. e a glória.
Já passam das três horas.
Se dormir não acabo essa história,
Se acordado fodo o resto da memória.
Psicografando
essa praga obrigatória...
(SOUZA, Víctor apud XAVIER, Chico 2013) 30/07/2013

Obrigação
Ando no mundo da lua,
no meio de uma papelada de um sem fim,
queria mais era uma cama quente
ou conversa fria de boteco no meio da rua,
ao invés de ter que ler códigos e frases em latim.
(Víctor Sousza) 23/01/2012


Chama maré
Vai pro mar onde reggae troa,
Se não tem mar,
Vai pra lagoa,
Se a barca afundar,
Pega a canoa,
Em Lisboa,
Já dizia pessoa:
“O lance é ficar de boa,
Os erros a alma perdoa”.
E a vida? A vida não termina nunca.
Você deve ficar e ver o mundo acabar.
(Víctor Rafael) 09/06/2012

Amar é outra coisa
Na verdade nem todo beijo exprime desejo.
Nem todo abraço é sinal de afago.
Sou agradável quando me cabe
e quanto lhe convém. 
Amar significa outra coisa, que eu também já nem sei.
Na verdade ser gentil é ter respeito por alguém,
E aquilo sinto não justifico a ninguém.
Só adianto que o amor vai mais além...
Amar significa outra coisa, 
que eu também já nem sei...
(Víctor Sousza) 12/01/2011


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Vem pra rua



Levantai-vos, massas carcomidas,
Adormecidas por profecias de longas datas.
Derrubai os parlapatões em suas ribaltas,
Enobrecei esta nação traída.

Vem pra rua e com gritos de primatas
Pinta a tua cara até então desconhecida,
Desperta a Vera Cruz prostituída
E iça com esplendor as tuas clavas.

Ordena, assim, o progresso do teu lábaro,
Menoscabado em engoda mão servil.
Expurga, canta, urra a miséria deste tártaro,

Ó dissimulada mãe gentil.
Insurge e ressuscita como Lázaro
a pátria a ser amada- Brasil.

(Víctor Rafael Sousza)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Da Jornada



Amor
que de amiúde
fez-se grande
e de repente
fez-se terno,
fui teu amigo
enquanto pude,
quero te amar
além
eterno.
E se exagerada
for tão longa jornada,
que tão logo,
ao menos,
não cesse
meu amor,
antes dele cesse
minha vida,
pois antes e só
e sendo amante
do que apenas
matéria inacabada,
predisposta
e tão somente
a torna-se
apenas

.
(Víctor Sousza)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Iconoclasta




Nada de muita teoria me basta,
Inclusive os santos e seus sermões.
Seria eu um iconoclasta
Ou apenas um desafeto de longas opiniões?

Desafeto seria das imagens veneradas
E daqueles que semeiam vastas especulações.
Nunca entendi como uma efígie parada
Pode ser alvo de tantas devoções.

Ponderai, pois, vossos louvores.
Os santos anseiam por tinta de boa qualidade,
Não por vossos favores.

Simplificai, assim, as divindades,
As várias variáveis, os valores.
Ignorai a clemência a esterilidade.

(Víctor Sousza)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Da Alvorada




Hoje a saudade veio cumprimentar-me de mau jeito.
Mal amanhecera o dia
E ainda prostrado ao meu leito,
De bruços a esfolar a fronha macia,
Senti tua ausência
A estraçalhar meu peito.
Saudade talvez por devaneio,
Impulso, libido ou volúpia.
Talvez por defeito
Afeto, flama, fogo ou fulgor.
É saudade de cada veia,
Ventrículo, cada olhar estreito,
Cada sussurro rarefeito...
Uma saudade puta desgraçada,
Que não tem hora marcada,
Mas que sempre em meio à alvorada
Começa a enzambuar meu peito.

(Víctor Sousza) 12/12/2012

domingo, 4 de novembro de 2012

Da Bênção



Quem dera que fôssemos abençoados por Hera,
E por todas as divindades da exosfera.
Quem dera que todo romance fosse fogo, fosse fera
E nossas vidas uma eterna primavera.

Quem dera que tua mendacidade fosse sincera,
E o nosso amor não fosse quimera.
Quem dera que ainda fôssemos amigos a espera
De um bom sorriso, quem dera (...)

Quem dera que todo aquele encanto
Fosse obra de santo
Pra que nunca, nunca, terminasse em pranto.

Quem dera, entretanto,
Que a saudade não fosse essa cratera
A degenerar a rima do último verso do último canto. (Víctor Sousza)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Da cautela



Que tua presença não seja meu consolo
Tampouco a tua ausência meu descontentamento,
Pois por mais bucéfalo que seja um tolo
Sabe que o Omega do amor é o Alfa do tormento.

E se o que me ceifa é a ânsia por teu colo,
Farei da distância um ligamento,
Do teu beijo sem protocolo
E do Adeus um só momento.

De tudo, no entanto, urge cautela,
Da cólera do calvário à glória da vida,
Por mais que seja sentimento de donzela,

Temas, pois dor de amor é dor dolorida.
E a ferida que arde deixa sequela
Como deixa a chama na vela aquecida".
(Víctor Sousza)