"Não pense que o mundo acaba ali onde a vista alcança. Quem não ouve a melodia acha maluco quem dança. Hoje eu sei que mudar dói, mas não mudar dói muito." (Oswaldo Montenegro)
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Iconoclasta
Nada de muita teoria me basta,
Inclusive os santos e seus sermões.
Seria eu um iconoclasta
Ou apenas um desafeto de longas opiniões?
Desafeto seria das imagens veneradas
E daqueles que semeiam vastas especulações.
Nunca entendi como uma efígie parada
Pode ser alvo de tantas devoções.
Ponderai, pois, vossos louvores.
Os santos anseiam por tinta de boa qualidade,
Não por vossos favores.
Simplificai, assim, as divindades,
As várias variáveis, os valores.
Ignorai a clemência a esterilidade.
(Víctor Sousza)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Da Alvorada
Hoje a saudade veio cumprimentar-me de mau jeito.
Mal amanhecera o dia
E ainda prostrado ao meu leito,
De bruços a esfolar a fronha macia,
Senti tua ausência
A estraçalhar meu peito.
Saudade talvez por devaneio,
Impulso, libido ou volúpia.
Talvez por defeito
Afeto, flama, fogo ou fulgor.
É saudade de cada veia,
Ventrículo, cada olhar estreito,
Cada sussurro rarefeito...
Uma saudade puta desgraçada,
Que não tem hora marcada,
Mas que sempre em meio à alvorada
Começa a enzambuar meu peito.
(Víctor Sousza) 12/12/2012
domingo, 4 de novembro de 2012
Da Bênção
Quem dera que fôssemos abençoados por Hera,
E por todas as divindades da exosfera.
Quem dera que todo romance fosse fogo, fosse fera
E nossas vidas uma eterna primavera.
Quem dera que tua mendacidade fosse sincera,
E o nosso amor não fosse quimera.
Quem dera que ainda fôssemos amigos a espera
De um bom sorriso, quem dera (...)
Quem dera que todo aquele encanto
Fosse obra de santo
Pra que nunca, nunca, terminasse em pranto.
Quem dera, entretanto,
Que a saudade não fosse essa cratera
A degenerar a rima do último verso do último canto. (Víctor Sousza)
terça-feira, 22 de maio de 2012
Da cautela
Que tua presença não seja meu consolo
Tampouco a tua ausência meu descontentamento,
Pois por mais bucéfalo que seja um tolo
Sabe que o Omega do amor é o Alfa do tormento.
E se o que me ceifa é a ânsia por teu colo,
Farei da distância um ligamento,
Do teu beijo sem protocolo
E do Adeus um só momento.
De tudo, no entanto, urge cautela,
Da cólera do calvário à glória da vida,
Por mais que seja sentimento de donzela,
Temas, pois dor de amor é dor dolorida.
E a ferida que arde deixa sequela
Como deixa a chama na vela aquecida".
(Víctor Sousza)
quinta-feira, 15 de março de 2012
Da tristeza e outras rimas vadias

Que triste seria
A Constituição sem democracia,
A guerra sem diplomacia,
A revolução sem a burguesia,
A Grécia sem mitologia,
A bolsa sem economia,
O Mc Donalds sem franquia,
A taverna sem vadia,
A Feiticeira sem academia,
O funk sem Melancia,
Os torcedores sem euforia,
Os shows sem cortesia,
A sorte sem loteria.
A vida sem Luzia,
O câncer sem cirurgia,
A dor sem anestesia,
As lembranças sem fotografia,
Cazuza sem biografia,
Colombo sem cartografia,
Maomé sem profecia,
Os santos sem romaria,
Soleil sem acrobacia,
Os idosos sem aposentadoria,
O amor sem terapia,
Da luz sem o dia.
Da noite sem boêmia,
Do mundo sem poesia.
(Víctor Sousza)
Do pedido

TEXTO 1- De Bandeira para Teresa!
"Teresa, se algum sujeito
bancar o sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde
Se ele chorar
Se ele se ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredita não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
CAI FORA."
(Manuel Bandeira)
TEXTO 2- De Víctor para Teresa.
"Teresa escuta o que Bandeira lhe diz,
Não te iludas
Por simpatia barata,
Por sorriso maroto,
Ou por qualquer magnata
Escuta!
Todo homem é um pouco malandro,
Todo diabo tem um pouco de santo,
Até os feios possuem encanto.
Portanto, Teresa
Dou-lhe um conselho:
Fica comigo!
De antemão só adianto:
Não tenho dinheiro,
Não choro,
Não ajoelho.
Amo a paisana,
Não sou Montéquio,
Nem você Capuleto.
Para quê um drama?
Não precisamos de bondes-paixão,
De incômodos ao nascer do dia,
Ao cair da lua.
Desiluda da perfeição Teresa.
Fica comigo,
Não sou tapetão
Posso ser um Romeu pós-moderno,
Dá-lhe amor sincero,
Prometer fidelidade.
(Só não garanto que seja eterno)
Aceita!
FICA COMIGO..."
(Víctor Sousza)
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Da Ilha de Upaon-Açu

São Luís, como já lhe quero bem,
E não é só pelas tuas belas mulatas,
Pelo teu reggae Jamaica,
Por teu Centro Histórico e exuberantes praças.
Dá-se a isso outro nome: admiração.
Quero-lhe bem com um amor involuntário,
Com amor-gratidão pelos momentos memoráveis
Vividos entre Amores-éteres à Beira-Mar,
Estúrdias em meio à Estrela* (rua),
Espetáculos no centro do Sol**(rua)...
Nenhuma outra cidade tem tantos Astros e casarões tombados.
Nenhuma outra ilha é de Toda a Humanidade*** (patrimônio).
És estupenda quando entardeces,
E linda quando nua rabisca o oceano.
Eis, uma imaginação divina...
(Víctor Sousza)
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